segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A REVOLUÇÃO FARROUPILHA

ENTREVISTA COM PAIXÃO CORTES SOBRE O GAÚCHO

• Quem é mesmo o Gaúcho?
É um produto do cruzamento do conquistadores portugueses, espanhóis e o índio. Muitos eram desertores das forças militares.
• De onde veio a idéia de machão e índio grosso?
Como todos os outros povos nós também temos nossas características. Fomos os primeiros a ocupar o Rio Grande. As primeiras estâncias e povoações se criaram num clima de perigo e insegurança. O gaúcho vivia com uma mão no laço e a outra na espada para defender a fronteiras de guerras que eram permanentes. Temos nossas responsabilidades nossos compromissos, exigência de nos fazermos respeitar, o respeito à palavra dada; se isto é machismo então somos machistas. Acredito que isto é hombridade.
• Então ser forte e bravo era uma necessidade de sobrevivência?
Sim, o próprio meio exigia. A quantidade de reses era tão grande, não havia necessidade de cudá-la criá-la o único afazer era conquistar pela destreza matando-as.
• No começo gaúcho era que mandava no sul do estado e participou da Revolução Farroupilha?
Não era só este. A prova é que na Revolução Farroupilha não encontramos nunca a palavra "gaúcho", nem na imprensa, nem na Constituição da República Revolucionária. Sempre encontramos que a revolução foi feita pelos riograndenses. Até porque alguns gaúchos defendiam o Governo Imperial e outros as idéias revolucionárias farroupilhas. Portanto nós não tivemos uma Revolução Farroupilha feita pelos gaúchos, mas pela sociedade rio-grandense.
• Qual a razão de o gaúcho Ter escolhido para suas lidas campeiras uma calça tão redundante e tão pouca praticada para o trabalho, como a bombacha?
Ele não escolheu. É como hoje, nós usamos calça LEE porque a vida moderna nos condiciona.
A bombacha, na realidade, é uma peça muito cômoda para o homem que anda à cavalo. A nossa bombacha, como se sabe, é uma versão gaúcha do seroual dos árabes. O seroual era um calção folgadíssimo, cujo fundilho se encontrava abaixo dos joelhos. Daí vem o nome seroula.
Ela veio para cá através dos europeus que tinham suas colônias na América. Foi usada até como fardamento militar na Guerra do Paraguai. Muito usada no Rio Grande do Sul pelos colonizadores Portugueses e Açorianos, foi o primeiro traje de estancieiros rio-grandenses, homens ricos que tinham posses para comprar coisas caras.
• Poncho também é importado?
Bem, existiam peças semelhante ao poncho ou pala na Grécia, em Roma, Portugal e Espanha como roupas religiosas. Na época pré-colombiana era usado pelos índios. No começo era de confecção artesanal., aos poucos manufaturado em grandes peças vindas da Inglaterra. Mais tarde a Inglaterra fornecia ponchos prontos num quase monopólio ao mercado gauchesco do Brasil, Argentina e Uruguai.
• Como eram os famosos bailes de fazenda, os fandangos, os bochinchos, os surungos?
São os nomes que a sociedade dava aos bailes dos diversos níveis sociais. Surungo ou sorongo tornou-se baile de ralé. Bochincho não havia definição social, entrava qualquer pessoa. Tinham lugar nos ranchos de chão batido, clareados com velas de sebo de égua. O fandango era diferente, dava-se na casa da fazenda com a presença da camponesa, da china, da chinoca, nomes que para o gaúcho é termo carinhoso, à prenda que é moça. Os bailes também recebiam outros nomes como: baile de rabada, de fogo de chão batido, de candeeiro, bragado e de cola atada.
Fonte:Revista Rainha – setembro de 1984 p.3 a 5.

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